Nada Fitch
Fitch mantêm Portugal no “lixo” devido a riscos económicos. Comente. Sandro Mendonça Economista do ISCTE-IUL A agência de notação Fitch não está contente com a economia. Em Maio, na pequena euforia que foi a saída formal da 'troika' e antes de uma época turística que se revelaria excepcional, Portugal tinha visto sinais diferentes. O que veio comprometer esta possibilidade? Antes do Verão, pela primeira vez desde 2011, tinham-se as primeiras boas notícias sobre 'ratings'. A Standard & Poor's alterava a perspectiva de "estável" para "positiva" enquanto a Moody's melhorou a classificação em um nível, antecipando possível nova melhoria. Portugal mostrava sinais de recuperação num contexto geral europeu de estabilização. Afinal, Portugal tinha melhorado as contas externas de -12,2% do PIB em 2008 para um saldo positivo de 2,6% em 2013; a dívida das famílias baixava dos 100% do PIB; o desemprego era aliviado pela emigração. É verdade que as decisões do Tribunal Constitucional impediam parte das medidas previstas para 2014, mas isso não preocupava as agências (talvez expandissem o mercado interno quando o cenário externo se tornava mais incerto dadas as crises da Ucrânia e do Iraque). Agora veio o balde de água fria. A Fitch manteve a notação e não deixa Portugal sair do "lixo" (BB+). Porquê? Lembremo-nos que a Fitch antes tinha enfatizado a necessidade de mais crescimento. Por um lado, o ambiente externo tolda o futuro: ao mau desempenho da Alemanha, que trava o crescimento do continente, soma-se agora a subida de tom das divergências quanto à política monetária do euro. Por outro lado, a nível interno: o terremoto do BES irá começar contaminar a saúde do resto da economia e espalha uma sombra sobre as contas públicas já no próximo ano. Para a Fitch, Portugal está menos preparado para choques futuros, como eventuais novas necessidades de recapitalização da banca e do próprio soberano. Nada bom.